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Leitura e escrita como experiência: infância, formação docente e práticas na escola.

Nesta obra, materializam-se experiências formativas e práticas pedagógicas que evidenciam, de modo aprofundado, a centralidade da leitura e da escrita na Educação Infantil e no Ensino Fundamental — anos iniciais — como eixo estruturante da formação humana. Tal percurso teórico-prático ganha concretude na atuação docente da organizadora Janiara de Lima Medeiros no CIEP Brizolão Municipalizado 328 Marie Curie, localizado em Duque de Caxias (RJ), espaço em que tais concepções se materializam no cotidiano escolar por meio de práticas comprometidas com a escuta das crianças, com a valorização da linguagem e com a construção de experiências significativas de leitura e escrita.

A experiência vinculada ao Dossiê Leitura e Escrita na Educação Infantil (LEEI) (MEDEIROS; FERREIRA, 2025), diretamente relacionada à atuação da organizadora, explicita a potência de práticas pedagógicas que se constituem na interface entre linguagem, cultura e experiência. Conforme discutido na formação do LEEI RJ em 2024, conduzida pela Formadora Estadual Gabriela Barreto da Silva Scramingnon (UNIRIO) e em diálogo com estudos sobre a formação docente na Educação Infantil, a leitura deve ser compreendida como experiência formadora, atravessada pela cultura, pela escuta e pela relação com o outro, considerando que a formação dos profissionais se constitui como condição fundamental para a qualidade do trabalho pedagógico (SCRAMINGNON, 2011).

De modo articulado, as produções literárias da organizadora Cristiane Barroso Dias inscrevem-se nesse horizonte teórico ao afirmarem a literatura como experiência estética e formativa, em consonância com a concepção de arte como dimensão constitutiva da formação humana (CANDIDO, 2004). Sua escrita, atravessada por múltiplas linguagens e pela valorização do imaginário infantil, potencializa a literatura como espaço de invenção, sensibilidade e elaboração simbólica da experiência.

Tais práticas, ancoradas na escuta sensível das crianças e na valorização do território, dialogam com a perspectiva freiriana de leitura de mundo como condição para a leitura da palavra (FREIRE, 1989), reafirmando a infância como tempo de produção de sentidos.

Nessa direção, compreende-se a leitura e a escrita como práticas socioculturais, historicamente situadas, que atravessam os processos de subjetivação e de constituição do sujeito leitor (CHARTIER, 1999; SOARES, 2004). Ao deslocar o foco de abordagens tecnicistas para uma concepção ampliada de letramento, as experiências oriundas do LEEI — bem como aquelas desenvolvidas no cotidiano escolar — tensionam a lógica tradicional e apontam para práticas que reconhecem a criança como sujeito de linguagem.

Assim, ao articular práticas pedagógicas, experiências docentes e produções teóricas, esta obra reafirma a necessidade de reposicionar a literatura no centro do currículo da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental, compreendendo-a não como recurso didático, mas como direito cultural e prática de humanização.

Referência bibliográfica:

MEDEIROS, Janiara de Lima; DIAS, Cristiane Barroso (org.). Leitura e escrita como experiência: infância, formação docente e práticas na escola. Rio de Janeiro: Revista Literária Barbante, 2026. Disponível em: https://revistabarbante.com.br/wp-content/uploads/2026/05/dossiejanichriscompleto2026.pdf Acesso em: 3 maio 2026.